segunda-feira, 29 de março de 2010

Uma lagarta

Uma lagarta. Nem bonita, nem feia. Nem grande, nem pequena. Só uma lagarta.

Que comia compulsivamente as folhas do jardim onde morava. Está cada vez mais gorda de tanto comer.

Quase morre quando tentaram exterminar com as formigas, suas concorrentes.

Os dias passavam e tudo era igual. Não existia a variável tempo para ela. Hoje, amanhã, ontem, tudo era igual!

Um dia por razões que a própria razão desconhece se viu cansada de tudo, parou e pela primeira vez, teve um instante reflexivo. Olhou ao seu redor e viu o mundo em que vivia, foi quando também percebeu que tinha uma existência própria.

Sentiu que precisava estabelecer uma nova relação com o mundo e com ela mesma. Apenas contemplar não foi suficiente, precisou se refugiar para poder se encontrar. Pensando assim pouco a pouco construiu um casulo. Não se sabe ao certo o que aconteceu ali dentro, só a própria lagarta é testemunha da sua experiência vivida. A única coisa que se tem certeza é que ouve uma transformação, e que essa transformação foi extraordinariamente positiva. Nem sempre essas metamorfoses são para melhor ou positivas, é só pensar o caso de Kafka (da obra “Metamorfose”, de Franz Kafka).

Então passado um certo tempo o casulo se rompe e sai uma bela borboleta. E voa.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A VIDA É FEITA DE ESCOLHAS

Simples assim!

O que você escolhe:

Sofrer ou ser feliz?

Férias ou trabalhar?

A prosperidade ou a pobreza?

Ser ignorante ou sábio?

Ser uma galinha ou uma água?

Um banho de piscina ou carregar pedras?


Mas porque você escolheu isso em vez daquilo?

O que pode influenciar nossas escolhas a se tornarem as nossas escolhas?

Quem é esse Eu que se afirma para escolher?


Uma vez uma amiga do YuBliss me disse: ‘nos dizem que somos aleijados, nos dão muletas, e acabamos aceitando o rótulo e o falso apoio’. Assim acreditamos e aceitamos o que nem julgamos se é bom ou não, apenas recebemos, não é assim?

Fazemos, pensamos, falamos, agimos, sem nos dá conta de onde surgiu tudo que achamos que somos e o que queremos realmente.


O que a gente faz com o que fazem ou fizeram da gente?

Que liberdade de escolha eu tenho?

Tenho liberdade de escolha?


Repetimos tantas vezes um comportamento que ele se torna habito. É como quando se cria uma mentira e de tanto repetir começa-se a creditar nela. Depois dizemos: Eu sou assim, sou dessa maneira! O que acontece é, que ao longo dos nossos dias vamos nos tornando o que somos e passamos ser. Acabamos por nos tornar assim. Mas nem percebemos o que nos tornamos, como nos tornamos ou porque nos tornamos. Simplesmente nos tornamos, automaticamente.


Para perceber o que somos é preciso nos auto avaliar, essa é a primeira escolha lúcida. É querer se conhecer de fato. De outra forma nos enganaremos já que temos nossas próprias idéias como referencias.


Assim nossas escolhas são influenciadas por nossas tendências. Mas esse mergulho é angustiante e é mais uma escolha que precisa ser feita: A angustia ou num estado que não é auto reflexivo?


A angustia é provocada pela auto consciência. O estado que não é auto reflexivo proporciona o conforto de ficar bem sem mexer em nada, ficar como se está, afinal é melhor ficar num terreno conhecido e não se arriscar

.

Seguimos com nossas fantasias. E quando cansamos de segui-las aparecem os problemas. Somos nós mesmos quem criamos nossos problemas quando cansamos de seguir nossas fantasias.


Mesmo que se escolha ir para a piscina as pedras continuaram lá.


A vida é feita de escolhas? Humm... Vejo que pode ser que nossas escolhas é quem nos escolhe.




sábado, 9 de janeiro de 2010

Ilusão ou mágica

As pessoas pagam o espetáculo

Todos aguardam os truques

No calor da apresentação é impossível não se envolver

O clima é emocionante, todos deslumbram!

Há uma hipnose geral

E, no meio do espetáculo...

O ilusionista se encanta com a própria performance

E ele acredita que aquele é seu mundo

Ele se hipnotiza pela platéia

Por acreditar que é mágico tudo foi transformado

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Veio me visitar

Hoje um passarinho veio me visitar.

Estava muito apressado, mal pude ouvir o que falou.

Sei que foram coisas boas, por isso me senti muito feliz.

Outros passarinhos já me visitaram.

Havia um que era muito insistente. Era lindo! Tinha as penas coloridas.

Vinha todos os dias, sempre na mesma hora.

Na época, pensei que ele não gostava do vidro da janela.

Hoje acho que ele me falava em código morse, e eu achava que ele queria entrar.

Houve também um beija-flor, agitadíssimo! Parecia assustado, com medo. Não sabia como ir embora. Tentei ajudar, mas ele não entendeu. Não nos comunicamos muito bem. Fiquei com medo de lhe machucar.

Todos eles me traziam boas notícias.

Por isso, o de hoje, me trouxe tanta alegria.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Arrumar o armário

É hora de arrumar o armário.

Abro as portas, retiro tudo que tem dentro.

Peça por peça, seleciono, classifico, separo.

Isso não quero mais, aquilo ainda vou ficar, e essas?

Hum... Não sei, deixo de lado, decido mais tarde.

O mais importante é esvaziar, tirar tudo, limpar.

Olho e vejo o que quero daquilo tudo.

Fazendo a faxina.

Quanta coisa guardada desnecessariamente!

Porque guardei tudo isso?

Coisas novas, outras velhas, outras ainda muito velhas.

Quanto lixo!

Hora de recolocar, peça por peça.

Tudo limpo e arrumado.

Mas isso não é permanente...

Mas agora está bem.

Fecho o armário.



domingo, 6 de dezembro de 2009

O Impostor



Recuso-me a olhar para minha própria vida. Tento impressionar os outros com minha inteligência, minha perfeição. Tento intimidar.

Olhando para mim, não consigo ver que mostro sinais de desespero profundo. Rosto rígido!

Para não perder o humor e senso de proporção escondo minha autodepreciação.

Quantas vidas arruinei? Qual o alcance e a amplitude de minha maldade? Conseguirei encobrir o meu mais profundo senso de desvalia e insignificância? Estarei eu perdendo as qualidades humanas?

Que ego bizarro!

Não posso parar de sorrir. Tenho que me relacionar com os outros. Não vou me destruir! Não posso ser derrotado! Tenho que me mostrar impecável e irrepreensível!

Tenho medo que descubram que sou uma fraude. Sempre dei falsa impressão de mim. Será muito difícil para mim se eu for desmascarado.

Tenho dificuldade de compartilhar meus segredos, pode ser embaraçoso. Sinto que falta conversa franca... em minha vida. Tenho tristeza pelo que jamais disse.

Mas, não posso ficar despido.

Essa é minha busca de aceitação e aprovação.

Assim, digo que sou feliz.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Luto é um processo, não um evento

Luto é um processo, não um evento

MARIA HELENA PEREIRA FRANCO
ESPECIAL PARA A FOLHA

HOJE, A SAUDADE nos leva a visitar a relação que tínhamos com nossos queridos que faleceram.
Essa visita nos fala ou relembra aquilo que dá significado à vida para muitas pessoas: a existência de um vínculo forte com alguém que, quando rompido, gera o luto. Falar de luto hoje é falar das nossas possibilidades de fazer, desfazer e refazer laços.

Não podemos falar com precisão sobre uma sequência de fases do luto. A pessoa enlutada, com frequência, encontra outras que adotaram crenças rígidas sobre o que deve ser experimentado nessa jornada ao longo do luto.
Essas crenças podem afetar profundamente o processo individual natural. Podemos encontrar respostas de desorganização, medo, culpa mas também podemos não encontrá-las. As emoções podem seguir-se umas às outras com intervalos curtos ou até mesmo duas ou mais emoções podem estar presentes ao mesmo tempo.

Cada pessoa fica enlutada de sua maneira. O luto é uma experiência pessoal e única.
Como resultado dos valores contemporâneos, as pessoas enlutadas são encorajadas a rapidamente deixar para trás o luto. Como resultado, temos duas situações: ou o enlutado vive seu processo isoladamente ou se força a abandoná-lo, antes mesmo de tê-lo completado. Amigos e familiares, bem-intencionados, mas desinformados, tentam fazer com que a pessoa enlutada desenvolva autocontrole, entendendo que essa é a resposta adequada.

As pessoas se perguntam quanto tempo dura o luto, como uma confirmação de que estão no caminho certo. Essa pergunta é diretamente relacionada à impaciência que nossa cultura tem com o pesar e o desejo de sair logo da experiência do luto. Um exemplo disso é a pressão que o enlutado sofre, logo após a perda, para voltar à atividade normal.

O luto passa a ser visto como algo a ser evitado, e não como algo que precisa ser vivido e que trará possibilidades de reconstrução. Mascarar ou fugir do luto causa ansiedade, confusão e depressão.
Viver o luto não significa passar por ele, significa crescer por meio dele, para renovar o senso de confiança e a energia, para reconhecer a realidade da morte e a capacidade de se tornar envolvido novamente. O luto é um processo, não um evento.

Além de entender na mente, vai entender no coração: a pessoa amada morreu. A dor sentida vai deixar de ser onipresente e aguda para se transformar em um sentimento de perda que pode ser admitido e que dá vez a um significado e um propósito renovados.

Embora a pessoa que morreu jamais venha a ser esquecida, a vida pode e deve continuar a ser vivida. A perda é para sempre, o luto não.

MARIA HELENA PEREIRA FRANCO é psicóloga, professora titular da PUC-SP e coordenadora do LELu (Laboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto), da mesma universidade.

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